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  Rev. Ulisses Horta Simões – Diretor

Junho de 2017
O ano de 2017 veio com muitos novos desafios. O nosso prometido Curso Propedêutico, em sua versão primária, já está na web.

Talvez, o maior dos desafios esteja cristalizado no novo projeto ministerial – o Projeto “Celeiro PRO-MISSIO” (CPM). Com o desenvolvimento desse projeto, temos a aspiração ardente de que nosso seminário se transforme num verdadeiro “celeiro missionário”. Que Deus assim queira!

E vem aí o Dia Seminariano (27 de Setembro), em que celebraremos o Dia do seminarista e o Dia do Seminário. Concomitantemente, ocorrerá o 2º Encontro de Ex-Alunos do RDNE…
E vem aí a Primeira Conferência Missionária CPM-RDNE (12 a 14 de outubro)…
Em seguida, vem também a Conferência da Reforma (23 e 24 de Outubro)…

Que Deus se agrade de tudo! E de nós!…
“Porque Dele, por meio Dele e para Ele são todas as coisas.
A Ele, pois, seja a glória, para sempre. Amém!” (Romanos 11.36, ARA).

 

Dezembro de 2016
Finalizamos o ano. Mais uma turma, com 25 formandos, concluiu o curso, recebendo seu diploma .
Também, mais dois mestres (M.Div) em Teologia, com ênfase em Aconselhamento Bíblico, foram graduados.
A nossa celebração de formatura teve um ponto alto em destaque: receber toda a família do Rev. Denoel Nicodemos Eller, quarenta anos depois daqueles tempos pioneiros, foi memorável. Dona  Conchita, Denoel, Eduardo, Marcelo, esposas, demais familiares! Vocês representaram, brilhantemente, toda a boa memória que o nosso seminário carrega do Rev. Denoel.

2017 se avizinha…
Com ele, novos desafios. O que podemos dizer? Que, tudo quanto, até aqui, foi realizado, é por obra e graça Dele; e se há louvor, é para Ele, o Autor e Consumador da nossa fé!

Que venha 2017! Que nos traga maiores vitórias. 

Soli Deo Gloria!

 

Março de 2016

    O TREINAMENTO DOS DOZE E O SEMINÁRIO

Não deve haver dúvidas de que o melhor paradigma para o desempenho da tarefa do seminário é o treinamento dos doze discípulos de Jesus, que se transformaram em doze apóstolos. Foram cerca de três anos de ‘tempo integral’ (vinte e quatro horas por dia), o que poderia equivaler a seis anos de um único expediente. Naquele treinamento, houve muitas ‘aulas teóricas’, mas houve também muitas ‘aulas práticas’. Talvez seja possível dizer que umas e outras se equilibraram, em cerca de cinquenta por cento de dedicação de tempo, para cada modalidade. Talvez…

Há que se considerar, também, a eficiência e a autoridade do mestre: Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas(Mateus 7. 28,29); fosse outro, certamente mais tempo seria necessário, para produzir resultados que ainda seriam inferiores. Seu método de treinamento foi significativamente mais eficaz, não só pelas qualidades pessoais do instrutor: também por conta da medida em que Ele era dotado com o Espírito de Deus, sem reservas: Pois o enviado de Deus fala as palavras dEle, porque Deus não o Espírito por medida (João 3.34).

Um breve olhar para o perfil típico dos ‘alunos matriculados’ mostra o tamanho do desafio: eram, ao que tudo indica, onze galileus e apenas um judeu. No entanto, o único judeu contado entre os primeiros “doze” foi exatamente o que traiu Jesus, e depois se enforcou. Logo, o grupo definitivo era apenas de galileus. Ora, galileus já se encontravam em nítida inferioridade em relação aos judeus, considerando-se a ótica humana. Primeiro, por conta de sua geografia: estavam separados dos judeus por uma província proscrita e intermediária – a Samaria; segundo, por conta da distinção de administração romana, em relação à que prevalecia na província da Judeia; terceiro, por conta de sua procedência étnica: eram uma espécie de remanescente mal recuperado e mesclado do que pode ter restado do reino do Norte, destruído no oitavo século a.C; quarto, por causa do seu idioma, zombado pelos judeus, porquanto era uma espécie sincrética de dialeto aramaico com um pouco de hebraico; quinto, por causa de sua visível inferioridade econômica – eram comunidades de mercadores e de pescadores; sexto, por conta de sua cultura, também menosprezada pelos judeus, que consideravam os galileus não mais que ‘primos’, mas nunca ‘irmãos’; sétimo, por causa de sua religião, também desdenhada pelos judeus – os judeus tinham o tempo e o sinédrio, além das sinagogas, mas os galileus só tinham algumas sinagogas.

Para salientar a verdade, a Galiléia era considerada por judeus, em termos práticos, terra de “gentios” (Isaias 9.1,2 e Mt 4.15). E, o próprio Jesus, mestre dos discípulos, era considerado galileu, porque todos o reputavam como nazareno. Não se admira, portanto, de que o desdém dos judeus em relação àquele grupo, com seu líder na proa, fosse tão espezinhado pelos judeus, máxime os líderes destes. Isto mostra o tamanho do desafio do Nazareno: preparar um grupo de galileus para ganhar o mundo (Mt 28.18-20).

Ademais, há que se falar no retrospecto pessoal dos ‘alunos’: certamente que cinco deles (André, Filipe, Simão Pedro, João e Tiago) eram humildes pescadores, que Jesus escolheu para converter em “pescadores de homens” (Mateus 4.19). Muito provavelmente, pelo menos mais dois poderiam ser também, uma vez que, passada a morte de Jesus, se juntaram a cinco junto ao mar, e foram pescar (João 21.2): Tomé e Bartolomeu (Natanael). Um deles exercia o ofício execrado de publicano – Mateus. Um deles era seguidor da seita política radical dos zelotes – Simão. Os estudiosos admitem a forte possibilidade de que os demais eram comerciantes. Nenhum escriba; nenhum fariseu; nenhum mestre da lei; nenhum rabino. E, o grande desafio de Jesus eram o de treinar esses homens, rudes sob certo aspecto, ordinários (comuns), conforme o ponto de vista de John MacArthur1, em fundamento da igreja (Efésios 2.20 e 3.3-5). Ou, pela ótica de Robert Coleman:

“O que de mais revelador acerca desses homens é que, a princípio, eles não nos impressionam como se fossem promissores, como se tivessem de obter grande sucesso… Em sua maioria, eram homens comuns, das classes laboriosas, provavelmente sem qualquer treinamento profissional, destituídos dos rudimentos do conhecimento necessário para sua vocação… Não possuíam diplomas de cursos acadêmicos, nem nas artes e nem nas filosofias de sua época… Em suma, os homens selecionados pelo Senhor, para serem Seus assistentes, representavam uma seção média da sociedade daqueles dias. Não eram o tipo de grupo que alguém esperaria que conquistasse o mundo para Cristo”.2

Mas, havia um grande diferencial: andar com Jesus! Dele, ouviram os ensinamentos, presenciaram os feitos, tiveram suas próprias aulas práticas. Isto foi tão significativo, tão importante, tão sublime, tão valoroso que, incumbidos a partir da ausência de Jesus, até os grandes mestres reconheceram que tinham estado com Jesus. Ao verem sua intrepidez, seu destemor, a consistência de seu testemunho, o que perceberam as autoridades, os anciãos e os escribas? Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus (Atos 4.13, ARA). Aí estava toda a diferença.

Em nosso seminário – o Seminário Teológico Presbiteriano “Rev. Denoel Nicodemos Eller”, podemos ter alunos de diversos matizes, diversos perfis, a cada ano. Mas, se todos eles tiverem que ser pastores de almas, firmes na doutrina dos apóstolos, verdadeiros “pescadores de almas”, uma necessidade será incontornável: andar com Jesus, estar com Jesus! Queremos, de coração, que o nosso seminário seja um lugar onde “galileus” (como nós mesmos, os que ensinamos) sejam treinados sob esta égide: ANDAR COM JESUS, ESTAR COM JESUS! Foi essa a experiência marcante e invejável de Enoque (Gn 5.24) Se assim tivermos êxito, independentemente da condição econômica, étnica, manejo linguístico, procedência geográfica e política, acervo cultural, experiência religiosa, teremos cumprido o propósito da nossa existência!

Em avanço ao significativo trabalho que até agora tem sido desempenhado, transformo este texto em conclamação aos meus colegas: Nosso lema será – E RECONHECERAM QUE HAVIAM ELES ESTADO COM JESUS! Que Deus assim se sirva de nós, apesar de nós!
1 John MacArthur, DOZE HOMENS COMUNS. Cultura Cristã, São Paulo.
2 Robert E. Coleman, O PLANO MESTRE DE EVANGELISMO, 21. Mundo Cristão, São Paulo.

 

Fevereiro de 2016
2016 traz, no curso da minha  vida, este novo e imenso desafio: dirigir o Seminário RDNE.
Pela graciosa providência divina, sou, imerecidamente, colocado junto a uma plêiade de servos de Deus que emprestaram seu empenho e seu denodo, dirigindo, antes de mim, a nobre casa. Grande privilégio!

Tal como Moisés, senti-me de tal modo destituído de credenciais, que vi-me sob a compulsão de Moisés, como a dizer: “Senhor, envia aquele que hás de enviar, menos a mim!”  E o pior: sem ter, nem à longa distância, as qualidades do líder de Israel!
Tal como Jeremias, sinto-me como um infante, sem saber ao menos o que falar… E o pior: sem ter as credenciais e a porção do Espírito daquele profeta!
Tal como Amós, sinto-me à semelhança de um boieiro e colhedor de sicômoros. E o pior: sem ter a ousadia e a retaguarda que teve aquele profeta, para erguer o prumo ante o povo de Deus!  

Como, então, enfrentarei o desafio? Enquanto o Senhor assim quiser, tomando para mim a expectativa de Jó:
“Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu Te perguntarei, e Tu me ensinarás.
Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos Te vêem.
Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.4-6, ARA).

Que o Senhor nos conduza em Sua inefável graça!
“Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; confirma sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos” (Salmo 90.17, ARA).

Belo Horizonte, Fevereiro de 2016, A.D. – Salmo 90.17